quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Planta Encarnada

I
A pé ando e observo.
Gigantes cinzentos que
Me engolem nas sombras e,
Pequenos que caminham da mesma cor.

A pé ando e lamento.
Tamanhos tormentos que
Me pesam nos ombros e,
O futuro que trará da mesma dor.

A pé ando e relembro.
Pequenos momentos que
Me arrastam nos ventos e,
O passado que retira da mesma flôr.


II

Num momento,
Um feixe que me
Embate no peito e,
Me realça à sua luz,
O batimento.

Um tacto que
Se mostra exato
E me traz o ultimato.

Um sentimento que
Surge por dentro
E me agarra ao momento.

Um perfume que
Aumenta o volume
E me larga o costume.

E um fado que
Acresce ao pecado
E me conclui, apaixonado.



III

O beijo…não.
A ausência conclui
A presença, mutilando
A temência.

O amado…são.
Plural invés de completo.
Folia invés de leal, e
O mal que se passa por Graal.

O outro…sim.
A sombra que invade
A fonte e me
Cega o horizonte.

O mesmo…por fim.
A pulsação final.
Um lago venal.
E um peito devorado
Pela planta canibal.

1 comentário: