domingo, 18 de fevereiro de 2018

Darrion Jones Inspetor - I

-Diz-me tudo o que sabes! - Ordenou.
-Eu não sei nada! Eu juro!
-A mim parece-me que sabes. - Colocou a mão na fita que comandava as persianas - Estou sem tempo.
A atitude do homem obeso que se afundava na cama alterou-se drasticamente - Não, por favor! Não faça isso!
-Então, conta-me o que sabes!
-Ah...eu...ah...
O homem que estava de pé ficou enervado - Acabou o tempo! - Puxou a corda e as persianas iniciaram o processo de ascensão.
Há medida que se iam separando, os olhos da criatura reflectiam um terror crescente. Quando a luz do dia entrou pelo quarto adentro, juntamente com ela, vieram gritos.
-Ah! Fecha isso! Por favor, fecha!
-Diz-me o que sabes!
O obeso tapou-se com os lençóis e manteve-se em silêncio.
A passos largos, o inspetor aproximou-se da cama e destapou o outro. Expôs, como destinatário dos raios solares, uma criatura pálida, coberta de pneus e a guinchar.
-Fecha isso! Por favor, fechas as persianas!
O detetive encarava-o com um sorriso poderoso - Vais-me contar tudo o que sabes?
No meio de gritos, respondeu - Sim, eu conto! Eu conto!
O inspetor puxou a corda e cimentou as escadas das persianas umas em cima das outras, não deixando entrar luz no quarto.
A ofegar e com um olhar aliviado, disse-lhe - Ah, estava a morrer...A minha espécie não aguenta muita luz...
-A tua espécie?
-Você não vai entender...
-Nem o pretendo. Onde está a Jolie?
Pairou apenas silêncio acompanhado pelo ofegar na sala. Depois, Doug, declarou em baixo tom, quase sem se fazer ouvir - Não sei...
-O quê?
Subiu um pouco o tom de voz - Não lhe sei dizer onde ela está.
-Não sabes?
-Não. Só me foi pedido para identificar o carro da mãe dela, nada mais.
O inspetor encostou-se ao parapeito da janela. Tirou um cigarro e um isqueiro zipper com a Marilyn Monroe ilustrada. Acendeu o cigarro e deu um longo bafo, fazendo com que o fumo desenhasse arcos naquele quarto parado e quase sem luz.
-Pois, eu acho que não estás a tentar devidamente. - Agarrou na alavanca e deteve-se, com o olhar fixo em Doug. Retomou a puxá-la lentamente.
-Não, por favor, pare.
-O quê? Não te consigo ouvir...
-Pare!
Darrion Jones foi cantando uma badalada western, enquanto ia deixando entrar no quarto raios de sol.
-Pára, seu cabrão! Pára!
-Ela viu-me no horizonte...
-Fecha essa merda!
Já se viam claramente os contornes do recheio do quarto.
-Seu filho da puta! Fecha essa merda!
-Com pés de cavalo e coração de víbora...
Doug soltava grunhidos e alguns palavrões.
-Não resistiu ao meu serpentear. Guardei-a no meu coldre...
-A matrícula do carro é AK 47 FU! Eles seguiram no carro da mãe dela!
-Estás a gozar?
-Não, é mesmo assim, por favor!
Darrion puxou a corda e a penumbra instalou-se no quarto.
-Se me estiveres a mentir, vais cozinhar até ao fim da badalada.

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