segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A Primeira Vez

Quando eu e os meus pais viemos visitar esta casa, oh que bonitas são as memórias. Todos os sentidos eram esmagados pela novidade. Cada uma das paredes brancas da casa era como uma tela por pintar, cheias de ideias que mais tarde a inundaria de cores. O ar que me entrava pelas narinas trazia perfumes novos, novas fragrâncias que acompanhavam as visões do meu futuro. Um toque em qualquer componente da casa fazia com que o próprio sangue fervilhasse de excitação. Um passo dentro da casa, não era um passo, mas o passo.
A infância está cheia de novidades, cheia de cores, cheia de sons e de individualidade. Por outro lado, a rotina erode-nos os sentidos, desfoca-nos as cores, entope-nos o nariz de ranho e os ouvidos de cera. Aquilo que já conhecemos é o pó que nos impede de tocarmos em algo de novo; é o acrescentar de mais uma peça e não o criar da primeira.
Cada uma das paredes da casa passa a ser apenas as vulgares, não tão limpas quanto se desejaria, paredes da casa. O perfume desta ou não se capta, ou é desagradável, o cheiro do passado amontoado. As minhas mãos calosas já me impedem de sentir os órgãos deste memorial. E um passo lá já não é o passo, mas outro de muitos, até ser o último.

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