quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Passado tenta enterrar o Presente

-Fátima, queria-lhe pedir para não vasculhar todos os cantos e recantos desta casa.
-Sim, senhora, mas encontro tanta sujidade.
-Nas minhas jóias?
-Sim, senhora, algumas estavam sujas.
-Está a gozar?
-Não, senhora, estou a falar a verdade.
A patroa contraiu os lábios um contra o outro, fazendo com que o inferior quase se tornasse da cor do gesso - Até logo!
-Até logo, senhora!
Nunca me passaria pela cabeça roubar aos patrões, seria uma ofensa à ajuda que me têm oferecido. Eu disse que aceitava não limpar todos os cantos desta casa, contudo, é-me impossível saber que existe sujidade em algum lugar e não a limpar.
A sujidade é o passado e esse é o inimigo. Se deixarmos que aquilo que nos envolve esteja coberto de passado, rapidamente nos alojará sob uma lápide; engolidos por tudo o que aconteceu ou que podia ter acontecido. Eu prefiro cobrir as coisas de futuro; olhar para elas e ver o quão limpas ficarão, ver o futuro que se tornará presente.
Porque sem futuro não há presente e sem passado não há futuro.

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