Combinámos à noite por o meu amigo não gostar do dia. Afirma que no destino dos raios solares tudo o que se encontra e vê é superficialidade. Sendo estas as suas palavras.
Notei-o ao longe, inconfundível como sempre.
A atravessar a rua para onde eu estava vinha um homem...não, um senhor como exigia que o tratassem. Este senhor tinha, no mínimo, uma cabeça a mais que as outras pessoas, estando ela coberta por um manto negro de cabelos selvagens. Cabelos estes que se fundiam à barba.
Os passos de Darrion Jones não se assemelhavam aos de um homem, mas aos do próprio vento. Passos leves, rápidos e atarefados. À velocidade a que se deslocava, a sua gabardine planava atrás de si como uma bandeira. Quando a bandeira se afastava da haste, via-se a sabedoria delineada nos contornos dos seus braços e peito.
Darrion não era um poeta como os outros, todo o seu corpo expelia versos e eloquência, não apenas a sua boca.
Aquele que o visse pela primeira vez, não deixaria de o invocar à mesa. Para contar à família sobre a sombra que por ele tinha passado.
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