domingo, 28 de janeiro de 2018

Factory Farming e Fast Food

Resultado de imagem para cow and babyQuando nos perguntamos quais foram os melhores momentos das nossas vidas, a resposta quase nunca varia: o primeiro dia. Aquele dia em que podemos estar com a nossa mãe. Em que ela nos ensina os costumes de lá. Ou pelo menos era isso que as outras faziam, pois a minha só chorava nas primeiras horas.
Levei algum tempo a acostumar-me àquela vida, não que eu conhecesse outra. Apenas ao fim da quinta hora é que eu consegui trocar as primeiras palavras com a minha mãe sem que ela encharcasse os pelos da sua face.
As estórias que me contou pareceram-me muito distantes na altura. Estórias sobre uma vaca que vivia em liberdade com os seus filhos até o seu amo ter desaparecido. Estórias acerca do seu aprisionamento e violação. Estórias em que o fruto dessas violações eram vitelinhos que ela amava mais que tudo e que lhe eram tirados ao fim de um dia.
Ela, ao contrário das outras, havia vivido em liberdade e tinha-me prevenido para o meu miserável futuro. Não que isso tornasse o meu afastamento dela, o aço a arder na minha nádega esquerda ou as regulares sessões de espancamento mais fáceis de suportar. Simplesmente tornava-as previsíveis.
Foram assim os meus quatro meses de paço para a frente, passo para trás. Um passo à frente para comer discos castanhos que aumentavam o meu peso e outro atrás para libertar os excedentes.
Os meus vizinhos foram variando. A maioria deles não estava lá mais de um mês. Pelo que notei, as mães deles não lhes tinham contado a verdade. Eles acreditavam que tinham de comer muito e que quando atingissem o tamanho ideal seriam libertados no paraíso. Um local com infindáveis pastos de erva fresca, onde estariam rodeados dos amigos e familiares. Poderiam apanhar sol ou viver debaixo de uma árvore. Poderiam ser livres.
A minha mãe contou-me algo bem diferente, mas a única coisa que eu sei é que quem desaparece já não volta.
Um dia, um dos tratadores abriu a minha portinhola e levou-me em direcção ao local do meu nascimento. O meu coração palpitou de excitação. Era possível que os vizinhos tivessem  razão e não eu. Levavam-me de volta para junto da minha mãe.
Rapidamente me desiludi quando fui colocado num local ainda mais escuro e apertado que o outro. Tentei voltar para trás mas não tive sorte. Portanto procurei colocar a cabeça pelo único buraco por onde a luz conseguia penetrar. De novo me arrependi pois entendi que do outro lado estava um humano que me olhava com olhos gélidos o suficiente para arrefecer o meu coração. Este empunhava uma machete encarnada e dirigia-se a mim. À medida que ele avançava, eu tentava recuar a todo custo, mas a minha cabeça tinha aumentado, possivelmente devido ao pânico que de mim se apoderava.
Fazia-se ouvir o eco dos meus mugidos e gemidos. Contudo, nenhum deles saciou a sede de sangue do humano porque este, com um golpe preciso e experiente, degolou-me e encheu o balde com o meu sangue. Até o fluído da minha vida foi aprisionado.
Juntei-me ao pasto divino e observei o ponto final do meu ser físico.
Devo dizer com orgulho que muitas crianças com excesso de peso ingeriram a carne das minhas nádegas acompanhada por batatas fritas ricas em sal. Pensei para mim: "Morri e vivi de forma miserável, mas ao menos confeccionam-me da mesma forma de modo a reduzir a esperança de vida de quem me ingere."

Fica aqui o link de um post de outro blog meu acerca da criação animal e do impacte que isso tem no ambiente e na ética https://viewwithmy-eyes.blogspot.pt/2017/01/factory-farming-slaughter-pain-animals-environment-health-vegetarianism.html

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