Aubrey abre os olhos com dificuldade e tenta esfregá-los. Não consegue pois está acorrentada pelos pulsos a uma argola. Esta argola está presa à porta da carrinha que a transporta.
A sua respiração acelera e, com os olhos ainda vermelhos, procura observar o que a rodeia. Está dentro de uma carrinha, no espaço atrás dos dois lugares da frente. Ao volante encontra-se um homem encapuçado que a vai olhando de poucos em poucos segundos.
-Por favor, não sei quem é. Mas, por favor, deixe-me ir embora! Eu não digo nada a ninguém.
-Cala-te! - A expressão de reconhecimento marcou-se na face de Aubrey. - Para onde te levo também não vais contar a ninguém.
-Da...David, és tu?
-Cala-te! Já te avisei!
-Ah, és tu David. Não sei porque é que estás a fazer isto. Mas, por favor, deixa-me ir embora.
-Não posso.
-Porquê? - A esperança acendeu-se no seu coração - Se é por amor, não precisas de me...
-Não é nada disso! Não digas disparates!
-Eu sei o que é. Gostas de alguém, mas esse alguém não te dá sinais...
-Já te disse para te calares, Aubrey!
-Eu também te amo.
David trava a carrinha a fundo, abre a porta e sai. Arrasta a porta corrida de trás; entra lá para dentro com fita adesiva na mão e tenta colá-la à boca de Aubrey enquanto diz - Aqui tens os teus sinais.
Aubrey desvia-se das mãos dele o melhor que pode e responde - Os melhores que me podias dar.
Pára de se desviar e, David, num ato de desleixe, aproxima a fita adesiva dos lábios dela. Estes abrem-se rapidamente e acolhem dois dos dedos do rapaz no seu interior.
Estes ficam feridos e David dá um passo para trás acompanhado de um grito súbito, mais por susto, do que por dor.
Aubrey ri-se, com sangue do seu amor a deslizar-lhe pelo queixo abaixo - Agora sim, estamos unidos por sangue.
O captor irrita-se e dá-lhe uma estalada na face que a faz desmaiar.
Sem comentários:
Enviar um comentário